Momento

As caixas de som ligadas no máximo e pessoas com taças na mão. 

Eduardo fora por ir, sem pretensão de que algo acontecesse. Afinal, apenas acompanhou amigos e dividiu sorrisos amarelos. Dançava com as batidas rápidas da música eletrônica. 

Evelyn gingava com os braços pra cima, sentindo o efeito da bebida alcoólica. Perdera parte de seu juízo e ficara depois que suas amigas se despediram. O vestido justo, o cabelo molhado, a roupa suada. O calor da cidade. Um espaço de poucos metros distanciava os dois. 

Eduardo se deteve um instante e olhou para a mulher que erguia uma taça vazia enquanto dançava. Riu. Havia algo de bom em se estar bêbado na noite de ano novo, supôs. A luminária focou na moça. Ela parou, fechou os olhos e sorriu. Uma garota segurou o braço da linda moça e a conduziu para fora da festa. O observador a seguiu, se esgueirando entre os corpos suados. Deixou sua bebida no balcão e correu. 

As duas entraram num táxi e partiram. Ele passou a mão no cabelo. Perdera a chance. Voltou para aproveitar a música.  

Estou ouvindo muito Clazziquai Project, e isso me faz pensar em baladas regadas a música eletrônica e paixões à primeira vista (nem sei o por quê...). Queria compor uma sequência delas. Essa foi baseada em Ping (tradução & áudio). 

Comentários

  1. Surpreendente! Porque, por mais que esse tipo de situação seja perfeitamente comum em festas — e também na vida, se formos comparar o fato de a garota ter ido embora sem que o rapaz tivesse falado com ela com as oportunidades, diversas, que vêm e vão —, na Literatura as pessoas costumam apelar para desfechos mais decisivos, como um fora ou um beijo que signifique uma atração correspondida. Neste caso o final ficou aberto para que nos perguntássemos: "Será que ele vai reencontrá-la algum dia?"

    O Único Jeito

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  2. Baa, que trivial e instigante, a Lari pôs um ponto fundamental aí, de fato na literatura se defende um desfecho decisivo, mas quando as linhas ficam soltas é tão sublime, sabe? Imaginar tantas possibilidades de uma situação tão recorrente .-. Cansei de passar por isso - ao meu modo - rs mas já aconteceu de eu reencontrar a pessoa... Será?

    Muito bom *.*
    xoxo

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  3. Seu texto é tão rápido quanto a percepção do tempo para quem está bêbado em uma balada. Na certa é apenas mais uma das inúmeras possibilidades quando se está embriagado em uma festa e Eduardo nem sentiu tanto, ou se sentiu, nem percebeu.

    As paixões líquidas das baladas sempre deixam mais perguntas que respostas.

    Muito bom voltar e te ler por aqui, Emilie :-)

    Beijos

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  4. Isso só me fez pensar em como as coisas acontecem rápido demais, fora do nosso controle.
    Bom texto :)

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  5. Realmente acho que eu nunca vi essas situações de "amor a primeira vista" de baladas, que duram 5 minutos, tão bem descritas. Gostei muito.

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  6. É aquela velha história do que poderia ter sido. Vivo tantas dessas, tantas vezes por semana que até cansa o coração, haha. E se eu tivesse chegado antes? Pois é. XD Ótimo texto, como sempre! (:

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  7. Isso me faz pensar em quantas oportunidades são perdidas, pelo simples fato de parar e apreciar. rs

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  8. dando uma lida nos comentários, acho que eu interpretei diferente.. acho que se ele chegasse a falar com a moça, nada ia mudar. Eu pensei nas duas saindo juntas para ficar juntas, então mesmo com outros desfechos ele foi nada mais que um observador. E gostei da minha interpretação.. finais abertos permitem isso, cada leitor com suas conclusões.

    Dei uma fuçada em outros textos, parabéns, sua escrita é muito boa! E não digo isso como um comentário superficial, ok? xD

    bjs

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