11 de maio de 2013

Meu complexo - Parte final


Querido diário,

Ontem (às 10 horas aproximadamente) cheguei da viagem...
Minhas férias terminaram tão cedo...24 horas pareceram poucas para um dia.
Ah,se alguém estiver com curiosidade: não consegui me declarar. É , eu sei que é chato , todos esperavam que acontecesse “o momento tão esperado”. Ehr,tenho uma explicação para isso!
Essas coisas são complicadas, e sem dizer que nem sempre dão certo. Mas tenho uma novidade: Bernardo e eu nos tornamos muito próximos, então, pode ser que aconteça! Não descarto essa possibilidade.

Hoje iremos ao colégio juntos. Estamos no mesmo grupo de um trabalho. Tive sorte porque dividimos o mesmo assunto. Ele é tão inteligente! Sinto-me como uma formiguinha na frente dele. Acho que o idealizei. Minhas amigas já sabem da minha paixão secreta, até porque preciso de ajuda e apoio. Tenho medo de falhar, e pra ser sincera, odeio perder. Não aceito perder uma partida de xadrez... Fico me remoendo até o oponente aceitar uma revanche. Quero que as coisas sejam perfeitas, que aconteçam naturalmente - sem impedimentos, sem medo. Sinto-me mais feliz agora que somos amigos. Apesar da dificuldade que tenho de esconder os meus sentimentos (logo eu, que fiz isso com tanta perfeição durante anos). Não posso forçar ninguém, nem me precipitar como antes. Essa viagem me fez reformular meu plano original. Aquele de criar uma situação favorável? Continuo a mesma garota impaciente, só que agora mais contida.

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Faz seis anos que escrevi essa história. Então, desculpem o amadorismo, a falta de originalidade e, principalmente, a temática. O conto foi encurtado pra caber no blog. Acabou e a partir de então, irei voltar ao Desafio "Uma Imagem/ Um Conto". Lembrando que você ainda pode enviar o seu conto (aqui). 
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29 de abril de 2013

00h00 - Fim




Raptor acordou, deitado no asfalto. Levantou para saber de sua parceira. Ela estava em pé, olhando para a Lua, preocupada. Perguntou o que aconteceu a ela. Não sabia o que responder, porém disse que algo mostraria onde Maria estava. Uma luz saiu do satélite pálido e atingiu uma torre distante. Jade pediu para que voassem até lá. “É perigoso, você pode cair”. “Vamos demorar se formos a pé, pode ser tarde demais!”. O dino desistiu e deixou a menina montar nele. Correu o mais rápido que podia e decolou. A garota ficou quieta durante a viagem. Finalmente pousaram no edifício abandonado. O teto estava destruído, com um buraco que atingia até o térreo, formando um túnel. Em cada andar, criaturas enjauladas. As jaulas formavam círculos. Descendo até o último andar, encontraram um antigo sarcófago com desenhos de um casal de cães em roupas egípcias. Era o túmulo de Anput, antiga esposa de Anubis. Tantas criaturas preciosas capturadas. Seria tudo por causa dela? Logo encontraram Maria, paralisada como uma estátua. Jade abraçou a pedra, com lágrimas em seu rosto. Raptor ficou aliviado, pensava no pior desde que a menina contou sobre tudo em seu primeiro encontro. Quando tudo parecia bem, o dino é golpeado para longe do sarcófago. Anubis segura a menina pelo pescoço e a afasta da estátua de sua progenitora. Raptor morde a perda do cão, fazendo-o largar a menina. O dino, pisoteado sem dó, teve as pernas destroçadas pelo inimigo. A menina correu e ficou em prantos pelo amigo em dor. “ME DESCULPA” ficava repetindo ela várias vezes. Raptor apagou, sangrava muito. A tímida sentiu a cabeça muito pesada e caiu. O chacal ignorou tudo e se aproximou do sarcófago, pensando um pouco. Levantou a lança para o alto e uma esfera luminosa e crescente apareceu, atingindo todos os presos e a mãe congelada com eletricidade. Então um raio saiu da esfera, atravessando o topo do prédio e atingindo os céus. Enquanto as jaulas conduziam a energia para o raio, os seres sofriam e gritavam de dor. A menina se levantou de novo, indiferente. Foi até Maria, e com o pensamento moveu ela para fora da condução, entrando no lugar dela. Anubis, não prestando atenção para a troca, encostou no túmulo e num flash foi transportado com ele para cima. A energia cessou.

Raptor acordou, se vendo curado pela garota, que emanava uma claridade familiar de suas mãos. Ele perguntou o que aconteceu. “Anubis voltou para o céu. Imagino que vai massacrar todos os deuses que encontrar por lá. Não que eles não mereçam”. O lagarto estranhou o tom de voz da menina. O olhar carinhoso e confortável dela não estava mais lá. “Todos morreram, mas consegui salvar a mulher... Minha mãe, quero dizer. Preciso ir agora”. “Mas... Como... O que aconteceu com você? Como vai embora?” perguntava ele, confuso. “Não se preocupe... Alguém estará sempre te observando com carinho”. A pequena segurou a estátua e desapareceu. Raptor ficou amargurado por não ter se despedido, porém tentou ignorar o sentimento e sair depressa. Tanta luz pode ter chamado a atenção de outras criaturas procurando por carne fresca. Olhou uma última vez para trás e fugiu pelos ares.


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Maria preparava o café. Sua filha querida desce as escadas rindo e abraça a mãe. A mulher estava mais feliz que nunca. Desde o último aniversário, a pequena falava com ela sempre, contava de seus interesses e sonhos, tinha amigas. Parecia sempre procurar saber das coisas, estudava sem parar as vezes. Adorava vê-la brincando depois de tanto tempo. De vez em quando tinha um sentimento estranho. Como se algo estivesse errado. De vez em quando, durante a noite, observava a Lua e se sentia confortável, esquecendo qualquer coisa estranha que tivesse pensado. O que importava é que Jade estava indo bem, e que a amava muito.

Raptor sobrevivia pelas ruas. Mesmo depois de tanto tempo, ainda achava que a menina estava lá com ele. Ele mesmo não compreendia o que era. As vezes se machucava feio, de uma forma em que não se recuperaria tão facilmente. E mesmo assim bastava um cochilo para ficar novinho em folha, como mágica. Alguém poderia o estar curando sem ele saber. Quando sentia muita falta da garota, se escondia e segurava a mágoa. Ele queria ter certeza de que ela estava bem. De que não aconteceu nada no caminho para casa. Então quando atravessava as nuvens, observava a grande lua luminosa acima dele. Observar o satélite o deixava calmo e feliz, como se nada estivesse errado. Sentia-se protegido como nunca antes. Ganhava forças e o fazia acreditar que a garota estava bem. As vezes quando voava alto demais, sentia como se alguém o estivesse acariciando... Melhor descer para se abrigar... Será uma longa noite.





                                                                                              Uma noite eterna.



-------------------------------------------------------------------------------------------------------Imagem: Anubis/ Zone of The Enders HD Collection/ Konami
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14 de abril de 2013

00:00h - Parte 2





A Terra da Meia Noite. Seres de variados tipos e aparências vagam por essa eterna noite, vivendo sobre o mundo paralisado, sem que as pessoas tenham noção de sua existência. Assim explicava Raptor para Jade sobre o plano em que ela veio parar por via de uma maldição invocada contra a própria mãe, Maria. Desde deuses a meros amigos imaginários, qualquer criatura já imaginada pelo homem é facilmente encontrada. Eram tempos difíceis. Habitantes sendo devorados. Morte. Guerras entre gangues. Cada um fazendo o que achava melhor para garantir a própria sobrevivência ou a de um grupo. Isso nas ruas desoladas, onde apenas os desafortunados e famintos se encontravam... Como Raptor. Além das alturas, dos arranha-céus, ficavam os mais afortunados. Deuses gregos, vampiros e bruxos andam muito populares além das roxas nuvens. De tempos em tempos a escala muda. Muitos fazem de tudo para subirem. No fim acaba sendo uma “escolha da natureza”. Houve uma época, por exemplo, em que os deuses egípcios dominavam a área. E num certo dia, todos caíram do céu. Sem motivo nem nada. Apenas caíram. Alguns foram devorados pelos famintos que estavam por perto. Outros se esconderam onde puderam, até desaparecerem do plano. Os habitantes mal sabem sobre sua própria origem. Lembram-se apenas de terem surgido em algum lugar do plano. Uns dão certeza que foram criados por homens. Outros que os homens são suas crias. Indiferente disso, todos lutam para alcançar a glória eterna nos céus. Bom, nem todos. O raptor apenas queria viver em paz. Não se importava com títulos ou poder. Apenas ser deixado quieto, em seu canto, longe dos conflitos e confusões. O que acaba se tornando impossível durante a procura por alimento e abrigo. Vivendo como um nômade, trocava o tempo todo de quarteirão. Entrava em brigas para competir pela carne de algum corpo em putrefação. Agora as coisas complicaram-se mais. Carne crua não parecia o alimento apropriado para uma menininha perdida em busca da mãe. Para o bem dela, achava melhor até não se envolver em nenhum conflito. O que menos queria era horrorizar a garota com mutilação e morte, mesmo que isso custasse ao dino passar fome.

Perguntavam por toda parte, procurando boatos sobre a mãe da tímida. Um Curupira pendurado de ponta cabeça disse ver uma sombra carregando um corpo monocromático por aí. Um Narval encalhado disse ter visto um homem-cão negro carregando uma mulher, em direção ao sul. Um ser das sombras, metade homem, metade cão...  Dino lembrou de ter ouvido uma história sobre alguém com a mesma descrição raptando outros moradores, mas nunca humanos. Ninguém nunca tem contato direto com ela... E quem já teve, evita entrar em detalhes com medo de também serem capturados apenas por mencioná-la. Quem seria esse monstro sorrateiro? Perdido em seus pensamentos, o raptor percebe ter perdido a menina de vista. Encontrou a menina no próximo quarteirão, sentada no paralelepípedo, segurando o braço arranhado. Ela ergueu as mãos, abrindo uma bandeja de plástico com alguns filés de carne crua. “Tome” falava ela oferecendo o alimento. “Sei que está se segurando até agora por minha causa. Não quero que passe fome. Achei um caminhão sendo descarregado aqui perto e bem... Como ninguém podia me ver nem se mover, peguei algumas coisinhas.” Raptor, agradecido, se prostrou em respeito a menina. “Ora seu, pare.” Acariciou a cabeça escamosa do amigo. O dino comeu a carne, enquanto a tímida devorava uma maçã que encontrou no meio do carregamento. Embora uma força estranha impedisse os habitantes de interagirem com o reflexo do mundo humano que pairava pelo mundo, Jade era livre para fazê-lo, desde que fossem objetos. Um problema resolvido. Se esconderam em um beco desocupado. Jade arrumou um pouco de papelão no chão e deitou. Raptor cobriu a menina com uma das asas para aquecê-la e ambos adormeceram.

A menina abriu os olhos. Viu que o amigo ainda adormecia. Apesar dele ter insistido antes para que ela não se afastasse, se arrastou para fora da asa, sem acordá-lo, pegou uma caixa vazia por perto e foi ao local do descarregamento mais uma vez. Colocando os produtos dentro do papelão, sentiu um calafrio. Escutou vozes abafadas e se virou, não encontrando ninguém. Seguiu o som. Nadinha de nada. Ao decidir retornar ao caminhão, foi surpreendida. Uma criatura negra com cabeça de cão flutuava perto dela, de braços cruzados. Sentia ser fitada por seus grandes olhos vermelhos. Em pânico, a garota correu, derrubando toda a mercadoria. O ser logo teletransportou-se em frente a moça num piscar de olhos. Ele apenas ficava lá, flutuando e a fitando, enquanto balançada a cauda. Começou a sentir muito frio. A imagem ficava distorcida aos poucos em que o cão esticava sua mão em direção à vítima. Então raptor apareceu para proteger sua princesa perdida, porém o mostro era demasiadamente rápido. Deu um arranhão no dino e ele caiu, retorcendo-se de frio e dor no mesmo instante. Quando tudo parecia perdido, um lençol branco desceu dos céus. Jade viu uma luz forte e apagou.

“Deuses caídos podem ser catastróficos, não?” uma voz chamava a atenção da criança, embora o clarão a impedisse de enxergar. “Não. Você não está morta. Seria um completo desperdício se você falecesse. Não posso dizer o mesmo de seu amigo escamoso.” Jade tentava interagir com a fêmea voz, porém seu corpo não reagia. “Não se esforce. Posso ler seus pensamentos, isso basta. Quer que eu cure ele, correto? Eu não costumo fazer as coisas de graça, mas considerando quem confrontou, posso te dar um presentinho... Anúbis. O antigo embalsamador egípcio. Que dia terrível o que ele caiu. Quando encontrou sua amada Anput mutilada... Os desafortunados com pedaços de sua carne e seu sangue espalhados pela boca e mãos. Foi uma execução. Nenhum deles foi poupado pelo ceifador. Desde então passou sua vida escondido, planejando sua tenebrosa vingança contra os novos deuses. E agora rapta diversos habitantes deste universo para alimentar seus poderes e ascender novamente. Eu sei... Sua mãe. Posso sentir como a ama tanto. Um sentimento forte e imenso de fato. Ninguém pode derrotá-lo Jade. Os que reinam os mortos não podem morrer, infelizmente para você. Entretanto, com um pouco de esforço, talvez consiga resgatar sua progenitora. Ora o que estou dizendo... Anúbis se move quase na velocidade da luz. E seus poderes só aumentam. Está tão poderoso que mesmo pessoas ele consegue capturar... Como sua mãe. Eu tive sorte em conseguir te salvar a tempo.” O clarão desapareceu e a garota se viu flutuando na órbita da terra, bem próxima da Lua. Seu protetor também estava lá, aparentemente curado. “Onde eu estou? Ora menina tola, não reconhece a Lua quando vê? E pensar que faço parte da sua vida desde que nasceu.” A grande esfera iluminava o casal. De lá do alto, eram capazes de ver os dois andares da Terra da Meia Noite. Enquanto a festa reinava por cima, a desgraça mantinha-se abaixo. A tímida sentiu-se triste por todos. “Não tenha pena deles... Se soubesse o que cada um fez... E ainda fazem. Até mesmo seu parceiro fez coisas horríveis. Eles não merecem sua misericórdia. Ah... Você insiste... Eu posso dar o poder para levar Maria embora... E custará algo. Algo que desejo muito. Estou cansada de somente orbitar sobre um planeta tão maravilhoso... Apenas observando e nunca fazendo nada. É tedioso... Depressivo. Quero andar por aí... Viajar. Viver. Ter um corpo de verdade ao invés desta carcaça pálida e rochosa. Proponho o seguinte... Eu a ajudo a levar sua mãe de volta, e em troca me entrega seu corpo. Você o Satélite e eu a garota tímida. Que tal? Tem certeza? Se tentarem tudo sozinhos podem não sobreviver. Menos ainda sua mãe. E posso garantir que ninguém que encontrarem lá embaixo terão vontade de ajudar. É minha única oferta. Eu prometo que cuidarei da sua querida... E sempre poderá assisti-la daqui de cima para garantir que eu cumpra minha parte. Apenas pense sua resposta agora... Sim ou Não?"


---------------------------------------------------------------------------------------------------Imagem: http://browse.deviantart.com/art/Moon-17004892
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30 de março de 2013

00:00h - Parte 1



      Jade, a tímida curiosa. Nasceu no botequim em que vive até hoje, gerenciado por sua mãe, Maria. Um lugarzinho pequeno, com dois andares: Um para os negócios e outro para a moradia. Com gênio forte, era fácil arrumar confusão quando alguém bebia demais da conta. Felizmente nada de grave aconteceu. Nada que a mãe houvesse contato até o momento. Na verdade, uma mulher desconhecida, vestindo apenas fiapos e fedendo a esterco entrou no estabelecimento certa vez. Maria ainda estava grávida da menina, mas insistia em trabalhar, mesmo tendo um funcionário. A mulher pediu um drink, porém não queria pagar, apenas mandar as mágoas guela abaixo. Maria apontou para a placa “Não faço fiado”. Placa é um exagero, não passava de um pedaço de papel sulfite. A mulher insistiu. A dona do bar também. A estranha, irritada, balbuciou e ergueu os braços esqueléticos, lançando uma maldição sobre a empresaria. “A criança que espera, ao aniversário de 10 anos, o tempo irá parar às 12 badaladas, e presa eternamente à sua noite especial a garota ficará”. Não compreendendo, a mãe tirou a conclusão de que a velha havia bebido o suficiente.

            Chega a véspera do dia. Maria nem se recordava mais do acontecido. A criança procurava não demonstrar a óbvia ansiedade, mas mãe que é mãe sabe. Levou a menina até a escola. A criança, ainda, não havia feito amiguinhas. Maria torcia que pelo menos uma ou duas, entretanto nunca ouviu algo sobre então preocupava-se muito mais. Quase nunca ouvia uma palavra de sua filha. E, diferente de sua abordagem com outros, era muito carinhosa e meiga com a pequena. Muitos diriam que é uma pessoa totalmente diferente. 10 anos se segurando, esperando que a filha se abra. Sempre parecia conhecer tudo e todos, mas nunca dava um passo em direção a seus objetivos. Talvez se preocupasse demais com o coração das pessoas. Talvez se preocupasse demais com o próprio coração. O medo de fazer algo errado e entristecer alguém parece plausível. O de se machucar também. Chega a noite. Voltando dos estudos com a mãe, Jade chorava e lamuriava. Tentou de tudo para compreender o que acontecia, mas a criança não abriu a boca. Sentindo ser a gota d’água, gritou como nunca antes com a menina. Nunca tendo sido tratada daquele jeito pela mãe, chorou ainda mais e correu. Entrou no botequim e subiu direto ao quarto, trancando a porta. Ficou a tarde toda encolhida na própria cama, pensando nos acontecidos da escola. Em como ela incomodou a mãe por tanto tempo, o que a fazia sentir-se pior. Resolveu levantar e sair do quarto para se desculpar. Era meia noite já, mas não custava acordá-la só para isso. Sem falar que com o aniversário aí, ela entenderia.

           Saiu do quarto. Estava tudo muito quieto. Os relógios pareciam não funcionar, todos parados. Uma luz roxa atravessava as janelas. O quarto da mãe, vazio. Cozinha, banheiro. Nem no andar dos negócios a mulher se encontrava. As portas estavam trancadas por dentro. Medo. Não queria sair sozinha, mas estava preocupada com a mãe. Respirou fundo, engoliu seco e fez o que ela mais evita: Se arriscar. Atravessou a saída. O céu roxo, com nuvens imóveis. A Lua como uma grande pérola lá no alto, sem se mexer, parecendo fitar tudo atentamente. As pessoas paralisadas, num tom monocromático, não respondiam à garota. Tropeçou nos próprios pés e ralou o joelho. Quando ia começar mais uma sessão de choradeira, ouviu um grito. Um grito misturado com um rugido. Levantou ignorando o machucado e seguiu o som. Entrando em um beco, encontrou um raptor vermelho, com asas, preso em um monte de entulho. Alguns pedaços de metal enferrujado atravessaram-no e o prenderam. A tímida, apesar de assustada com a criatura, ficou horrorizada e com pena de deixá-lo por lá, sangrando. Chegou perto e usando o próprio peso puxou as estacas do coitado. Para o bem dele, não atingiram nenhum ponto vital. O dinossauro levantou e agradeceu a garotinha. “Eu sou Raptor” se apresentou ele. O nome óbvio não impediu a garota de se preocupar mais com os ferimentos, porém o dino disse que ficaria tudo bem, ele se recuperaria em breve.

            A menina se despediu, seguindo de volta a busca da mãe. Raptor ia logo atrás dela. Pensou em parar para perguntar o que o sujeito queria, mas depois da dor que ele passou lá atrás, deixou como estava. “Você vem sempre aqui?” perguntou o alado. Jade continuou caminhando em silêncio. O dino estranhava a presença de uma humana na Terra da Meia-Noite. Mais uma vez, a atrapalhada tropeçou, ralando o outro joelho e piorando o primeiro. Ficou no chão por um momento, segurando o choro por toda a situação. A mãe sumir, tudo estranho, monstros. A última coisa que ela queria era chorar como sempre. Raptor abocanhou a blusa da menina e a puxou para suas costas, pedindo para segurar firme em seu pescoço. Enquanto era carregada pelo bondoso, notou que seus ferimentos sumiram completamente, como se nada tivesse acontecido. Abriu um leve sorriso e abraçou forte o bicho, sabendo que ajudou alguém. Parece que se arriscar de vez em quando não é algo tão ruim, mesmo que as probabilidades estejam contra você. Agora é encontrar Maria.


Imagem: Dark Hour Clock/ShinMegamiTenseiPersona3/Atlus
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